13 de fev de 2015

A ADRENALINA DO ESPORTE COM HÁBITO E BATINA.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil

Frei Malone e o Seminarista Adriano Bitencourt

         Se você pensa que hábito e batina não combinam com esporte é porque você ainda não conhece o Frei Malone e o Seminarista Adriano Bitencourt. Os gaúchos que apreciam reggae, ‘mandam bem’ no skate, unindo o silêncio interior com a adrenalina das manobras radicais. O frei arranja tempo ainda para se equilibrar na corda, na prática do Slackline. “Na corda não existe outro adversário a não ser você mesmo”, afirma Malone. Já Bitencourt, encontra também no Surf uma grande sintonia com a natureza, “Aquela imensidão de água… ver uma tartaruga… um Boto pulando perto de mim… Só ‘pegando uma onda’ para saber o que se sente no surf!”, afirma o seminarista.
         Amor a primeira vista! Esta é a expressão que Bitencourt usa para expressar sua relação com o Sketeboard. Ele nos conta que desde criança pratica o esporte com os amigos da cidade natal, de Capão da Canoa (RS). “Em julho, nas férias, desci de skate a Serra do Faxinal (SC), a sensação de liberdade é incrível, tensão e prazer ao mesmo tempo, é como voar sobre o asfalto” descreve o seminarista. Mas a motivação dele não para por aí, a paixão pelo skate é compartilhada com a paixão pela prancha de surf, ele conta que sempre que vai a cidade natal, mal acaba de chegar, ele já corre para o mar, “nem desmancho a mochila, coloco o Long (roupa para surfing), passo a parafina na prancha e corro para o mar”, conta. O Surfing sempre o encantou desde criança, e ele afirma que: “esta é uma relação que vai durar até que a morte nos separe”, brinca.
         O desafio e o estar junto com os amigos motivam Frei Malone Rodrigues, religioso, da Ordem dos Frades Menores, natural de Alegrete (RS), a praticar Skateboard, “a alegria que sinto junto com meus amigos quando estou treinando recarrega minhas energias” conta. Contudo, encontrar um horário fixo para estar com skate não e fácil. Ele conta que acorda de madrugada para a oração comunitária, que estuda Filosofia na PUC-RS, e que realiza atividades caritativas em dois centros sociais: A Casa São Francisco e, a Casa Santa Clara. Estas, são destinadas a acolher crianças em situação de vulnerabilidade social ou em situação de risco. “É difícil encontrar horário fixo para treinar. Chego a passar uma semana sem treino”, revela o Frei. No entanto, ele nos surpreende ao contar sobre sua nova paixão! O Slackline, esporte onde é necessário equilibrar-se em cima de uma corda, “curto fazer as séries e manobras escutando música. As horas passam voando. Cada passo é um desafio”, conta. Como ele pratica a atividade sozinho, e esta exige concentração, ele nos disse que já se pegou muitas vezes falando com Deus. Ele prática este esporte geralmente no final da tarde, sem relógio, fazendo-o perceber melhor o por-do-sol, “sinto a natureza, a sua ‘vibe’ positiva”, diz Malone.

“Quando pratico esporte,
trabalho com a escuta do corpo, concentração,
equilíbrio e controle. Isso ajuda na vivência espiritual” (Frei Malone).

         Para Frei Malone, o esporte o ajuda a melhor viver a vida interior, a espiritualidade. “Quando pratico esporte, trabalho com a escuta do corpo, concentração, equilíbrio e controle. Isso ajuda na vivência espiritual”, conta o frei. Bitencourt nos fala que o esporte rompe barreiras, e o aproxima dos jovens, “quando chego ‘na gurizada’ com meu skate, ou, quando alguns me veem indo para a praia com a prancha em baixo do braço, eles percebem que existe a possibilidade de ser um jovem ‘de Deus’ e curtir a vida intensamente, ao mesmo tempo”, afirma. Para ele, a prática esportiva ao ar livre, na mata, no mar, contribui para a vida interior, aproxima de Deus, pois, a natureza é obra das mãos Dele. “No esporte encontro certo equilíbrio, descarrego a tensão, além de gastar calorias”, conta Bitencourt.

“sua persistência fará de você um vencedor!” (Bitencourt).

         É do conhecimento de todos que atividades físicas, esportivas, proporcionam qualidade de vida, e que os benefícios são físicos, mentais e espirituais. E já que estamos falando sobre esporte, aproveitamos para te motivar a prática esportiva. Frei Malone diz que o importante é começar. “Descubra algo que curta. Tente. Arrisque!”, motiva o Frei. Cuidar da saúde é zelar pelo dom precioso que Deus nos deu, nossa vida. O corpo é morada de Deus, ele abriga sopro criativo de Deus, o Ruah Elohim (do Hebraico – língua original dos textos bíblicos do primeiro testamento). Para se construir um novo condicionamento físico, é necessário novos pensamentos, novos hábitos, sair do sedentarismo. E para se tornar bom no esporte que se pratica, segundo Bitercourt, é necessário persistência: “sua persistência fará de você um vencedor!”, conclui.

Por Thiago Radael (Escrito por marianos.brasil em novembro 10, 2014. Postado em Blog da Juventude Mariana)
Edição para o Blog da Província: Frei Ricardo, OAR
  


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13 DE FEVEREIRO: BEATA CRISTINA DE SPOLETO

Província Santa Rita de Cássia
Brasil



Chamava-se Agostinha Camozzi. Filha de um médico ilustre de Osteno (Como), casou-se muito jovem com um trabalhador; pouco depois enviuvou. Apaixonou-se por ela um oficial do Exército, com quem teve um filho, que morreu pouco depois. Casada novamente com um camponês de Marians, diocese de Mântua, apaixonou-se por ela um outro homem que matou seu marido. Por esta e outras causas, o assassino foi condenado à morte. Agostinha resolveu mudar de vida. Escolhe Verona como residência e ali, desejando imitar a Cristo, toma o nome de Cristina e faz profissão como agostiniana secular.
Sua vida de penitência foi extraordinariamente áspera. Sua oração e suas obras de misericórdia constantes. Viveu em diversos mosteiros de Agostinianas, mas afastava-se logo que percebia ser bem tratada e admirada. Em 1457 começou uma peregrinação a Assis, Roma e Jerusalém. Morreu, ao passar por Spoleto, no dia 13 de fevereiro de 1458 com grande fama de santidade. Suas relíquias conservam-se na igreja ex-agostiniana de São Nicolau, em Spoleto. Gregório XVI confirmou seu culto em 1834.

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12 de fev de 2015

MISSA DE ACOLHIDA DE FREI GUSTAVO BARBIERO MELLO, O.A.R. NA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONSOLAÇÃO – CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM-ES.

Paróquia Nossa Senhora da Consolação
Cachoeiro do Itapemirim-ES



A Paróquia Nossa Senhora da Consolação da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, administrada pelos Frades da Ordem dos Agostinianos Recoletos - Província Santa Rita de Cássia, convida a você, sua família e amigos para a Celebração Eucarística no dia 15 de fevereiro de 2015, domingo, às 19h, na qual estaremos acolhendo o novo vigário paroquial Frei Gustavo Barbiero Mello, O.A.R., que colaborará com os trabalhos pastorais e de evangelização, juntamente com o pároco Frei Agostinho Morosini, O.A.R. e os demais vigários paroquial: Frei Enéas Berilli, O.A.R. e Frei João Constantino Junqueira Netto, O.A.R.

MISSA DE ACOLHIDA DE FREI GUSTAVO BARBIERO MELLO, O.A.R.
Dia: 15 de fevereiro de 2015
Local: Igreja/Matriz de Nossa Senhora da Consolação
Horário: 19h



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11 de fev de 2015

MISSA DE ABERTURA DO ANO LETIVO NO INSTITUTO AGOSTINIANO DE FILOSOFIA (IAF) FRANCA-SP.

Seminário Nossa Senhora Aparecida
Franca-SP





No último dia 09 de fevereiro de 2015, no Seminário Nossa Senhora Aparecida (Capelinha – Franca-SP), às 08hs30min aconteceu a celebração eucarística de abertura do ano letivo do IAF, presidida pelo Prior Provincial, Frei Nicolás e concelebrada pelos frades: Frei Afonso (Diretor do Instituto), Frei Hélton, Frei Ivo e Frei Clébson (Comunidade Capelinha), Padre Leonaldo (Reitor do Seminário Diocesano de Franca), Padre Dalmácio (Fundador da Comunidade Hodie) e Frei Ricardo (Comunidade Ribeirão Preto). Também estavam presentes os irmãos Frei Wesley e Frei André e, os demais seminaristas e estudantes leigos.


Que a SUMA SABEDORIA, que é o próprio CRISTO JESUS inspire nosso coração e nosso intelecto para que possamos amar pra crer e crer para amar.
Por Frei Ricardo, OAR
Fotos: Seminarista Raphael

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10 de fev de 2015

ANIVERSÁRIO NATALÍCIO DE FREI LUIZ GONZAGA.

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Celebrando o Dom da Vida
Província Santa Rita de Cássia


No dia 10 de fevereiro comemoramos
aniversário natalício de
frei José Luiz Gonzaga


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gonzaga 150Frei José Luiz Gonzaga reside atualmente em Franca-SP e exerce, entre outras responsabilidades, o serviço de vigário na paróquia Nossa Senhora das Graças.niver nascimento 250


9 de fev de 2015

A FILOSOFIA DE SANTO AGOSTINHO.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil



        Ao iniciarmos hoje (09-02-2015) o ANO LETIVO FILOSÓFICO no INSTITUTO AGOSTINIANO DE FILOSOFIA de nossa Província Santa Rita de Cássia, compartilhamos aqui uma pequena explanação da FILOSOFIA DE NOSSO PAI SANTO AGOSTINHO:

        Uma das maiores personalidades da história universal, Santo Agostinho foi um grande retórico, um grande filósofo e um grande santo da Igreja. Sua obra, ao mesmo tempo vasta e profunda, exerceu e exerce muita influência em toda a cultura ocidental.
        A sua vida, muito conhecida, torna-o inteligível também para muitos não-cristãos. Retórico, homem do mundo, carnal, fez um longo esforço para encontrar a chave da inquietação que o devorava. Primeiro maniqueu, depois platônico, finalmente convertido, num célebre momento que ele mesmo contou com um gênio inimitável.
        Depois da conversão, e sem pretendê-lo, é ordenado sacerdote. Chega ao episcopado da mesma maneira. E desde esse momento, no meio de muitas vicissitudes críticas, carrega sobre si grande parte da responsabilidade da Igreja; assim, por exemplo, no auge da heresia de Pelágio ou em face do cisma dos donatistas. No momento da sua morte, é todo um símbolo. Morre em Hipona quando os vândalos sitiavam a cidade. Com ele, morre a cultura antiga e nasce outra nova. Porque Santo Agostinho foi um homem do seu tempo. Versado em todas as artes clássicas, foi sempre um retórico de grande habilidade, jogando com as palavras num malabarismo que conseguia sempre escapar à superficialidade. Diríamos que o seu pensamento é tão profundo que supera as habilidades do retórico.
        Inicialmente, escreve filosofia, porém mais tarde dedica as suas forças à pregação, sem descuidar uma enorme correspondência. Escreve também muitos tratados teológicos, de exegese bíblica, etc.
        Não citaremos aqui as obras teológicas; limitar-nos-emos às de caráter filosófico: Contra Acadêmicos, crítica do ceticismo; De beata vita, sobre a felicidade; De ordine, sobre a origem do mal: os Coliloquia, um apaixonado diálogo consigo mesmo sobre a imortalidade da alma; De immortalitate animae; De quantitate animae, sobre a mesma questão; De magistro, sobre a educação com um enfoque psicológico.
        Santo Agostinho não construiu um sistema filosófico completo, ainda que as idéias básicas se mantenham constantes e acusem um claro predomínio platônico. Ele mesmo nos conta que começou a ler uma obra de Aristóteles e não pôde prosseguir. Talvez o tenha afastado o estilo entrecortado, desencarnado, a falta dessa alma que Santo Agostinho buscava em tudo. Santo Agostinho não parece feito para encerrar a realidade em categorias. A sua reflexão parte sempre da vida: das coisas que se passam ao seu redor, das idéias dominantes, dos ataques contra a fé, da interioridade da sua alma.

A BUSCA DA VERDADE
        A filosofia agostiniana é uma constante busca da verdade, que culmina na Verdade, em Cristo. É um movimento incessante, uma paixão, e, precisamente, a paixão principal: o amor. “Amor meus, pondus meum”, o amor é o peso que dá sentido à minha vida. Verdade e Amor.“Fizeste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti”, diz nas Confissões.
        Essa “passionalidade” da filosofia agostiniana não é em nenhum momento irracionalismo ou voluntarismo. Se incita a ter fé para entender, também anima a entender para crer melhor. Nada nos pode fazer duvidar da possibilidade de chegar à verdade. Nada valem os argumentos céticos. Si fallor, sum: se me engano, é uma prova de que sou, diz, antecipando-se, num contexto muito diferente, a Descartes. E com mais clareza: “Sabes que pensas? Sei. Ergo verum est cogitare te, logo é verdade que pensas”.
        A verdade está no interior do homem. “Não queiras sair para fora; é no interior do homem que habita a verdade”. E há verdades constantes, inalteráveis, para sempre. Dois mais dois serão sempre quatro. Santo Agostinho tenta esclarecer de onde pode vir essa verdade. Não das sensações, diz, porque essas são e não são, são mutáveis, efêmeras. Tampouco do espírito humano, que, por profundo que seja, é limitado. Essas verdades eternas só podem ter por autor Aquele que é eterno: Deus. São reflexos da verdade eterna, que nos ilumina e nos permite ver. Nisso consiste o que depois ficou conhecido como “doutrina da iluminação”; porém, desde já é preciso dizer que Santo Agostinho não a apresenta nunca como uma “teoria”, mas como uma comprovação. Já no final da sua vida, diz nas Retractationes que o homem tem em si, enquanto é capaz, “a luz da razão eterna, na qual vê as verdades imutáveis”.
        Como em Platão, conhecer verdadeiramente é estar em contato com o mundo inteligível. Porém, Santo Agostinho nunca dirá que vemos as verdades em Deus, mas que participamos da luz da razão eterna. Não se deve ignorar, por outro lado, que essa solução para o tema do conhecimento corre o risco de não distinguir de forma adequada o conhecimento natural do conhecimento sobrenatural. Mas essa é uma questão que só será levantada mais tarde, na Idade Média.

A BUSCA DE DEUS
        Em Santo Agostinho, não existem provas formais para demonstrar a existência de Deus. Ainda que toda a sua obra seja uma espécie de itinerário em direção a Deus. Tudo fala de Deus; basta abrir os olhos. Ele é intimior intimo meo, mais íntimo ao homem que a própria intimidade humana. As coisas falam-nos todo o tempo de Deus. Perguntamos-lhes: “Sois Deus?” E respondem: “Não, fomos feitas. Continua a buscar”. De forma retórica – retórica de grande qualidade –, encontramos aí a prova da existência de Deus pela contingência das realidades humanas. A mutabilidáde exige o imutável; os graus de perfeição exigem o Ser perfeito. Em Santo Agostinho, como em outros filósofos de inspiração platônica, está claramente formulado o que será a quarta via de São Tomás de Aquino.
        Qual é o melhor nome para Deus? O que se lê no Êxodo: “Aquele que é”. “Non aliquo modo est, sed est est” (Confissões). Santo Agostinho dará com freqüência a Deus o nome de Bem, de Amor, porém não desconhece que antes de tudo Ele é; e porque é o que é, é Amor, Bem, Infinito. São Tomás de Aquino não precisará modificar nada de substancial nesta metafísica agostiniana. Como exemplo das dezenas de textos agostinianos, temos este, das Confissões: “Eis que o céu e a terra são; e dizem-nos em altos brados que foram feitos, pois modificam-se e variam. Porque, naquilo que é sem ter sido feito, não há coisa alguma agora que antes não houvesse: que isso é modificar-se e variar. O céu e a terra clamam também que não se fizeram a si mesmos: somos porque fomos feitos; não éramos antes que fôssemos, de modo a termos podido ser por nós mesmos. Basta olhar para as coisas para ouvi-las dizer isso. Tu, Senhor, fizeste essas coisas. Porque és belo, elas são belas; porque és bom, são boas; porque tu és, elas são.”
        Esta última afirmação (quia est: sunt enim) significava a definitiva superação por parte de Santo Agostinho do essencialismo platônico. Deus é causa do ser das coisas, porque é o Ser por essência. Se a fórmula de Santo Agostinho não é essa, a ideia é.

O MUNDO, CRIAÇÃO DE DEUS
        Outro texto das Confissões situa de forma inequívoca a metafísica da criação: “Que eu ouça e entenda como no princípio fizeste o céu e a terra. Moisés escreveu isso; escreveu-o e ausentou-se. Daqui, onde estava contigo, passou a estar contigo, e por isso não o podem ver meus olhos. Se estivesse aqui presente, eu o agarraria, lhe rogaria e, por Ti, lhe suplicaria que me explicasse essas coisas [...]. Porém, como saberia que estava a dizer-me a verdade? A própria verdade, que está no interior da minha alma, e que não é grega, nem latina, nem bárbara, nem necessita dos órgãos da boca ou da língua, nem do ruído de sílabas, me diria: Moisés diz a verdade, e eu, no mesmo instante, com toda a segurança lhe diria: Verdade é o que me dizes”.
        Voltemos à questão anterior. Deus é Aquele que é; as coisas são criadas. Deus é quem lhes deu o ser. Por quê? Por pura bondade. “Porque Deus é bom, somos.” A razão da criação é a bondade de Deus. Deus não pode ter, no seu querer, outro fim que não o seu próprio ser. Só em relação a si mesmo pode querer mais. A criação é gratuita. Não há nada preexistente. Santo Agostinho acaba com as dúvidas de Orígenes e com o universo grego, eterno.
        Deus cria todas as coisas do nada. E todo o criado é composto de matéria. Santo Agostinho, que durante tanto tempo não conseguiu conceber uma substância espiritual, não deixa de atribuir uma certa materialidade mesmo às criaturas espirituais, aos anjos. A absoluta imaterialidade só cabe a Deus. Em Deus estão as idéias exemplares de todas as coisas, que são as formas. Ao criar, essas idéias ficam limitadas pela matéria, mas, ao mesmo tempo, nessa matéria já estão os germes de tudo o que será: as rationes seminales.
        Santo Agostinho retoma aqui uma doutrina de origem estóica e, ao mesmo tempo, faz uma concessão ao “materialismo” que professou durante anos, embora talvez seja melhor empregar o termo de “corporeismo”.

O ENIGMA DO HOMEM
        “O homem que se espanta é ele mesmo grande maravilha”. “E dirigi-me a mim mesmo e disse: Tu quem és? E respondi-me: Homem. E eis que tenho à mão o corpo e a alma, um exterior e o outro interior. Porém, melhor é o interior”. “O homem é um ser intermediário entre os animais e os anjos”. “Nada encontramos no homem além de corpo e alma; isso é todo o homem: espírito e carne”. Essas são apenas algumas das numerosas referências que poderíamos dar sobre esta questão crucial. São os dois grandes temas agostinianos: “Deus e o homem”. “Que te conheça a ti e que me conheça a mim mesmo”. É o famoso princípio dos Soliloquia: “Quero conhecer Deus e a alma. Nada mais? Absolutamente nada mais”.
        Também nesta questão Santo Agostinho trai a influência do platonismo. O homem é uma alma que usa um corpo; ou, uma alma racional, que se serve de um corpo terrestre e mortal; ou, “uma alma racional que tem um corpo”. Tudo indica que, para Santo Agostinho, o homem é a alma. E, contudo, há textos que parecem fugir ao platonismo: “Porque o homem não é só corpo ou apenas alma, mas o que é constituído de alma e de corpo. Esta é a verdade: a alma não é todo o homem, mas é a melhor parte do homem; nem todo o homem é o corpo, mas a porção inferior do homem; quando as duas estão juntas, temos o homem” (A Cidade de Deus). A questão ainda está sujeita a discussão, mas exagerou-se demais o platonismo de Santo Agostinho neste particular. De qualquer forma, Santo Agostinho supera a desvalorização do corporal, tão essencial no platonismo e no neoplatonismo. O corpo é matéria, criação de Deus, e por isso, bom. Não é o cárcere nem o túmulo da alma: “Não é o corpo o teu cárcere, mas a corrupção do teu corpo. O teu corpo, Deus o fez bom, porque Ele é bom”. Também aqui poderíamos multiplicar os textos: “Todo aquele que quer eliminar o corpo da natureza humana desvaira”. E de forma inequívoca, numa obra tardia, o Sermão 267: “Perversa e humana filosofia é a dos que negam a ressurreição do corpo. Alardeiam serem grandes depreciadores do corpo, porque crêem que nele estão encarceradas as suas almas, por delitos cometidos em outro lugar. Porém, o nosso Deus fez o corpo e o espírito; de ambos é o criador; de ambos o recriador”.
        Examinemos uma dificuldade classicamente agostiniana. Deus é o criador da alma, mas como a criou? Com os nascimentos surgem constantemente homens, isto é, corpo e alma. Será que as almas estão nas “razões seminais”, na matéria, e são transmitidas pelos pais, na geração? Santo Agostinho assim o pensou por certo tempo, mas depois recusou que algo espiritual pudesse surgir da matéria. Pensou na criação imediata por Deus de cada alma, mas esse início no tempo de algo espiritual não combinava com o que ainda restava de platonismo nele. Acabou confessando que não sabia o que dizer. Era mais um elemento desse enigma que é o homem.
        Fica claro que a alma é imortal, porque conhece as verdades imortais e eternas. Que conheçamos o que seja a verdade e que nunca deixará de sê-lo é, para Santo Agostinho, evidente. Como pode morrer ou desaparecer o que é a sede do indestrutível?
        A alma será sempre um mistério. Muitas outras realidades sobre as quais pensamos também o são. O tempo. É famoso o dito agostiniano: “Se ninguém mo pergunta, sei; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não o sei”. Depois de uma análise do passado, do presente e do futuro – até hoje não superada –, Santo Agostinho concluí: “Não se diz com propriedade «três são os tempos: passado, presente e futuro»; talvez fosse mais apropriado dizer: «presente das coisas futuras, presente das coisas passadas, presente das coisas presentes». Porque essas três presenças têm algum ser na minha alma, e é somente nela que as vejo. O presente das coisas passadas é a memória; o presente das coisas presentes é a contemplação; o presente das coisas futuras é a expectação” (Confissões). O tempo é, assim, distensio animi, “uma espécie de extensão da nossa alma”. É preciso ler ao menos esse livro XI das Confissões para captar o tom da filosofia agostiniana: incerta às vezes, nada dogmática, em diálogo constante com Deus.

A COMPLEXIDADE DA HISTÓRIA
        A Cidade de Deus é mais uma das grandes obras universais que Santo Agostinho legou à humanidade. Mas poucos escritos têm sido tão mal lidos, tão mal interpretados. A oposição entre Cidade de Deus e Cidade terrena foi vista como oposição entre Igreja e Estado. Nada mais falso. O texto célebre não deixa lugar a dúvidas. Dois amores criaram duas cidades: o amor próprio, que leva ao desprezo de Deus, a terrena; o amor de Deus, que leva ao desprezo de si mesmo, a celestial. Ou: “Dividi a Humanidade em dois grandes grupos. Um é o daqueles que vivem segundo o homem; o outro, o dos que vivem segundo Deus. Damos misticamente a esses dois grupos o nome de cidades, que quer dizer sociedades de homens”.
        A prova fundamental de que essa divisão não é equivalente à divisão Igreja-Estado é a afirmação taxativa de que na Igreja podem existir homens que, na realidade, pertencem à cidade terrena; e, inversamente, entre as pessoas que ainda estão fora da Igreja podem-se encontrar predestinados à cidade celestial. Por outro lado, essas duas “cidades” acham-se misturadas, imbricadas. A “peneira” será feita só no final de cada história pessoal e no final da história de todo o gênero humano. Enquanto transcorre o tempo, com as suas variações, “porque não em vão são tempos”, a história é complexa. Não existe uma “lei da história”, não conhecemos o futuro. Só Deus conhece o final; o homem move-se às apalpadelas no campo da história. A história forma como que um belo poema, no qual intervêm Deus e o homem. O final só será conhecido quando soar a última nota.
        Em uma palavra: a concepção de história é, em Santo Agostinho, uma concepção aberta. O seu “providencialismo” não é uma afirmação de “teocracia”. Não se pode extrair da filosofia-teologia da história de Santo Agostinho argumentos para o césaro-papismo ou para qualquer outra confusão do religioso com o político. A importância desta filosofia-teologia da história ressalta mais quando se tem em conta que em toda a história da filosofia será preciso esperar Hegel para encontrar outra concepção igualmente global e completa (embora em Hegel ela tenha um sentido panteísta).

Por Rafael Gómez Perez - http://www.quadrante.com.br/
Edição para o Blog da Província: Frei Ricardo, OAR
Fonte: “História básica da filosofia”, Editora Nerman, São Paulo, 1988, págs. 70-74. (Tradução: Peter Pelbart).

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MISSA DE ABERTURA E AULA INAUGURAL NO INSTITUTO AGOSTINIANO DE FILOSOFIA (IAF) FRANCA-SP.

Seminário Nossa Senhora Aparecida
Franca-SP

Frei Afonso (Diretor do Instituto)

Hoje pela manhã (09-02-2015), no Seminário Nossa Senhora Aparecida (Capelinha – Franca-SP), às 08hs30min deu-se início à celebração eucarística de abertura do ano letivo do IAF, presidida pelo Prior Provincial, Frei Nicolás e concelebrada pelos frades: Frei Afonso (Diretor do Instituto), Frei Hélton, Frei Ivo e Frei Clébson (Comunidade Capelinha), Padre Leonaldo (Reitor do Seminário Diocesano de Franca), Padre Dalmácio (Fundador da Comunidade Hodie) e Frei Ricardo (Comunidade Ribeirão Preto). Também estavam presentes os irmãos Frei Wesley e Frei André e, os demais seminaristas e estudantes leigos.
Logo após a Santa Missa, todos se dirigiram ao Salão Santo Agostinho onde primeiramente, compartilharam um delicioso café da manhã e, logo após participaram da aula inaugural com o tema: “O seguimento de Cristo pelos Conselhos Evangélicos”, ministrada por Frei André.

Que o Senhor inspire nosso coração e nosso intelecto para que possamos amar pra crer e crer para amar.
Frei Ricardo, OAR

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