20 de nov de 2015

O TEMPO, SEGUNDO SANTO AGOSTINHO.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil



“O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não o sei.” (Confissões – Agostinho, Livro XI)

        Poucos textos carregam o rigor de raciocínio que o Livro XI das Confissões de Agostinho apresenta. Para quem não sabe, Santo Agostinho de Hipona foi um dos Pais da Igreja, responsável pelo estabelecimento de vários dos dogmas aceitos pelo cristianismo. Mas sua importância não se limita aos que professam a crença cristã. Agostinho também foi um filósofo excepcional, como poderemos ver através de sua célebre análise do tempo.

        A pergunta sobre o tempo não é fácil. Pode parecer, mas não é. Como Agostinho nos mostra, é difícil entender de que modo existe passado e futuro. De fato, não há como defender que eles existem realmente, pois o passado já não existe mais, e o futuro ainda não existe.

        Como, então, medimos o tempo, se o passado não existe e o futuro também não? Não podemos nem mesmo dizer que o passado foi longo, pois não há o que possa ter sido longo, já que ele não existe no momento em que o dizemos. Ou seja: como dizer que o passado foi longo, se não há o que possa ter sido longo? O mesmo se aplica ao futuro.

        E quanto ao presente? Este, é claro, inegavelmente, existe, de algum modo. Mas, será que o presente pode ser longo? Agostinho usa o exemplo de cem anos presentes. Serão eles longos? Ora, mas o primeiro desses cem anos é presente, e os outros 99 são futuros e, portanto, ainda não existem. Quando o primeiro ano passar, o segundo será presente, o primeiro, passado, e os outros 98, futuros. Logo, cem anos não podem ser presentes.

        Mas o ano se subdivide também em semanas, e o mesmo problema se apresenta. Mas a semana também se subdivide em dias, e os dias em horas, e as horas em minutos, e assim por diante. O que resta, então, que não possa ser subdividido e que, portanto, seja, de fato, presente? Um instante que não tem duração. O presente nada mais é do que um instante que, tão logo seja, deixa de ser, por não ter extensão nem duração.

        Contudo, apesar do problema, percebemos os intervalos de tempos, e os comparamos entre si, medindo-os. Mas como fazemos isso? Não é possível medir o que não existe, logo, não se pode medir o passado e o futuro. E o presente não tem duração, não podendo, também, ser medido.

        A solução de Agostinho para o problema é engenhosa e totalmente inovadora. Ele diz o seguinte: o passado e o futuro só existem no presente. Pois o passado existe como lembrança do que já foi, e o futuro existe como antecipação do que será. É desse modo que medimos o tempo. Ao dizermos que certo poema é longo, por exemplo, sabemos disso porque lemos o poema e, na medida em que lemos, guardamos na memória o que já passou do poema, mantemos a atenção no que estamos lendo, e projetamos no futuro o que leremos. Ao terminarmos o poema, tudo virou lembrança, passado, e nossa memória nos diz sobre a duração do poema.

        A originalidade de Agostinho deve-se ao compreender de que somos seres temporais e que, portanto, não podemos falar do tempo como se fosse um objeto exterior. Nossa compreensão do tempo é psicológica, e é assim que lidamos com ele, internamente. À pergunta “com que meço eu o tempo”, Agostinho responde: com meu espírito.

        Se resta a dúvida sobre como diminui o futuro, se ele ainda não existe, Agostinho diz que “o futuro não é um tempo longo, porque ele não existe; o futuro longo é apenas a longa expectação do futuro. Nem é longo o tempo passado porque não existe, mas o pretérito longo outra coisa não é senão a longa expectação do passado”.

        É crucial notar que Agostinho fala aqui de um tempo psicológico, em contraste com um tempo ontológico, exterior ao ser humano. Portanto, Agostinho não está negando a existência do tempo ontológico, como possa parecer, mas sim diferenciando-o do tempo psicológico, que só existe desse modo, ou seja, como lembrança, atenção e projeção.

        Outro ponto interessante é que Agostinho abriu as portas, com essa análise do tempo, para inúmeros filósofos que depois dele vieram. Através da internalização do tempo na consciência, foi possível o surgimento de grandes pensadores e obras como Heidegger com o “Ser e tempo”. Mesmo antes de Heidegger, temos Kant, com a “Crítica da Razão Pura”, que transforma o tempo numa das categorias do entendimento, pelas quais acessamos os fenômenos. Ambos os casos mostram pensadores que analisaram o tempo como sendo interno ao ser humano. Claro que a abordagem desses dois autores é muito diferente da de Agostinho, mas é inegável sua importância para que célebres pensadores tenham chegado a suas conclusões.

        Em suma, podemos ver, com isso, que Agostinho foi um filósofo extremamente rigoroso em seu raciocínio, e frutífero em vários âmbitos. É comum haver desprezo para com ele por ter sido um pensador religioso, e por seu modo de escrita, sempre citando Deus e louvando-o, mas isso é leviandade. Suas posições não devem ser rejeitadas apenas pelo fundo religioso que tem, mesmo porque há casos bastante claros onde esse fundo religioso pode ser deixado de lado. A questão do tempo é uma delas.

Por João Victor. In.: http://literatortura.com/
Edição para o Blog da Província: Frei Ricardo A. Dias, OAR




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19 de nov de 2015

“JOÃO É A VOZ, CRISTO, A PALAVRA”. DOS SERMÕES DE NOSSO PAI SANTO AGOSTINHO.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil


         João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra (Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio.

        Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.

        Entretanto, mesmo quando se trata de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer, a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu.

        Procurando então como fazer chegar a ti e penetrar em teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra; e quando te fez entendê-la, esse som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu.

        Não te parece que esse som, depois de haver transmitido minha palavra, está dizendo: É necessário que ele cresça e eu diminua? (Jo 3,30). A voz ressoou, cumprindo sua função, e desapareceu, como se dissesse: Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3,29). Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo.

        Queres ver como a voz passa e a palavra divina permanece? Que foi feito do batismo de João? Cumpriu sua missão e desapareceu; agora é o batismo de Cristo que está em vigor. Todos cremos em Cristo e esperamos dele a salvação: foi o que a voz anunciou.

        Justamente porque é difícil não confundir a voz com a palavra, julgaram que João era o Cristo. Confundiram a voz com a palavra. Mas a voz reconheceu o que era para não prejudicar a palavra. Eu não sou o Cristo (Jo 1,20), disse João, nem Elias nem o Profeta. Perguntaram-lhe então: Quem és tu? Eu sou, respondeu ele, a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor" (Jo 1,19.23). É a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio. Aplainai o caminho do Senhor, como se dissesse: “Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o quero levar, se não preparardes o caminho”.

        O que significa: Aplainai o caminho, senão: Orai como se deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho, senão: Tende pensamentos humildes? Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam; não se aproveita do erro alheio para uma afirmação pessoal. Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”, facilmente teriam acreditado nele, pois já era considerado como tal antes que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse o que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação; compreendeu que era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la.

Santo Agostinho de Hipona


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18 de nov de 2015

A PARÓQUIA AGOSTINIANO-RECOLETA NOSSA SENHORA DE LOURDES NA CAPITAL PAULISTA CELEBROU AS BODAS DE DIAMANTE (60 ANOS) DO ESTIMADO CASAL DAVI E JÚLIA.

Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
São Paulo-SP



         No dia 08 de novembro de 2015 na santa missa das 10h30 na paróquia Agostiniano-Recoleta Nossa Senhora de Lourdes em São Paulo (SP) reafirmaram seus compromissos matrimoniais o casal Davi e Júlia. A celebração foi presidida pelo pároco Frei Egisto Cansian estando presentes os filhos, netos e amigos do casal.

        Senhor Davi e dona Júlia são portugueses de nascimento e brasileiríssimos de coração. Este casal é muito ativo em nossa paróquia e participam assiduamente das Celebrações Eucarísticas sendo que dona Júlia é a responsável pela ornamentação de nossa paróquia. Seu labor é realizado com extremo cuidando e com muito carinho pelo espaço celebrativo. Celebrar os 60 anos de matrimônio deste casal faz-nos refletir a importância do companheirismo durante a vida mostrando-nos que o amor permanece mesmo ao longo dos anos.

        Que este exemplo sirva para esta geração que perde o sentido do amor e recorde-nos que a entrega de um para o outro deve ser diária em meio a tribulações, alegrias e desafios. Louvado seja Deus pelo dom deste casal!

Por Frei Rhuam Ferreira R. de Almeida, OAR


Veja algumas imagens da celebração:








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17 de nov de 2015

FESTA DA NATIVIDADE DE NOSSO PAI SANTO AGOSTINHO EM PARÓQUIA AGOSTINIANA RECOLETA DO RIO DE JANEIRO-RJ.

Paróquia São Januário e Santo Agostinho
Rio de Janeiro-RJ



        No último dia 13/11/2015, os frades e a FRASAR/RJ (Fraternidade Secular Agostiniana Recoleta) da Paróquia São Januário e Santo Agostinho, localizada na capital fluminense, celebraram a “Festa da Natividade de Nosso Pai Santo Agostinho” com a Celebração Eucarística e um delicioso café da manhã. Não podemos nos esquecer que, também, foi comemorado o aniversário natalício da amiga e secretária paroquial “Verinha”. Parabéns!!!

Veja como foi:













Por Frei Ricardo Alberto Dias, OAR
Fotos: Página no Facebook da Paróquia São Januário e Santo Agostinho


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VEJA EM IMAGENS, COMO FOI CELEBRADO O 1º ANO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE FREI CLÉBSON RODRIGUES DE SOUZA, OAR (01-11-2015).

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Capelinha
Franca-SP

Frei Clébson com sua irmã.

        No último dia 01/11/2015, o nosso irmão FREI CLEBSON DE SOUZA RODRIGUES, OAR completou o seu 1º ANO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL. E para comemorar data tão especial, ele mesmo presidiu a Eucaristia, às 19hs na Igreja Matriz da Capelinha – Franca-SP com a participação dos jovens da JAR e grande número de amigos, familiares e paroquianos. Logo após a Missa, foi oferecido um delicioso jantar no salão paroquial ao lado da igreja.

Veja em imagens como foi à festa:






















Por Frei Ricardo Alberto Dias, OAR
Fotos: Página no Facebook da Capelinha


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